Acreditar sorrindo, reinventar alegria a cada instante

Existiram sempre três coisas que me causavam temor somente em pensar na sua existência,

Do nada…assim como quem pisca os olhos, ao abrir, tinha-as no meu horizonte: a quimioterapia, e o se ficar careca e o IPO.

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A 10 de janeiro de 2007, estava um dia bonito, e eu que sempre achei que num dia 10 apenas me poderiam acontecer coisas boas, aquele em particular iria mudar-me para sempre.

Estava um dia primaveril, o sol acompanhava-me, como se soubesse a importância que teria tanta luz, num dia que por instante, resolveu ficar com umas tonalidades distintas do brilho que apresentava.

De sorriso no rosto, respirava fundo, desconhecendo que ainda só estava no começo. Credencial na mão, apenas uma única direção, IPO. Tinha chegado a minha vez.

Foi assim que começou.

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O sorriso tem a capacidade de acolher, de incluir, de nos aliviar a tensão natural que nos acompanha naqueles instantes. De repente é como se conseguíssemos de forma tranquila nos entregar, confiando, nos cuidados que nos iam prestar.

A temível quimioterapia tornou-se uma realidade quase de forma instantânea após a confirmação “tem cancro de mama, e vai fazer quimioterapia…AGORA!!!

Curiosamente as minhas veias estavam cheias de medo e estava difícil encontrar uma, como as compreendo…lá apareceu uma voluntária à força… e começou…

“- Começou?
– Isto está mesmo a acontecer?
– Será?”
Era e foi… injetada por fases, em tomas diferentes, mas com um objetivo concreto:
– DAR ESPERANÇA!

Somos fortes o suficiente para erguer sorrisos em construções cujos alicerces queriam ser lágrimas.

Que caiam algumas, mas poucas, só as necessárias para fazer um rio onde iremos sorrindo no barco que nos transporta nesta nossa “caminhada”.

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Estando já assumidamente careca, fui comer uma sopa ao McDonald´s, entrei e como já era habitual para mim, tirei o chapéu.

Andava uma pequenita que teria pouco mais que um ano, a rondar-me e a olhar para mim…e eu sorri!

Aproximou-se de mim e tocou, para ver se eu era real, sorri! Quando o volta a fazer a mãe repara e fica um pouco constrangida com a situação, dirigiu-se a mim e pediu-me desculpas, sorri, dizendo:”- Não necessita de pedir desculpas, não é todos os dias que se vê um Teletubbies no McDonalds!”

Admitida no IPO a 25 de Janeiro de 2007, com a sensação estranha da carga que carrega o que significa aquela sigla, entrei…

Durante o caminho que percorri até lá chegar, que percorro hoje em dia, obriga-me a um respirar fundo frequente, como se no inspirar nos enchêssemos da coragem que nos faz avançar, sem medo, sem dúvidas, inspiramos força, expiramos medos…

Assim se entra, existindo no ar qualquer coisa de estranho… respira-se esperança…
De súbito fazemos parte da mesma equipe, a do acreditar, somos tantos e nos identificamos ao passar.

A simpatia mora ali! Penso que desde sempre.

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Respira-se ao passar… anda pelos corredores, nas escadas, nos elevadores, no refeitório, nos balcões de atendimento, nas enfermarias, nos exames, nas cirurgias.
Convivemos com ela, sem que nos cheguemos a atropelar…

Acessível a todos, como que por direito, trocamos galhardetes em forma de sorrisos e seguimos em frente.

Vive-se! Como antes, ao que lhe somamos o que somos hoje.

Não deixemos que a preguiça nos invada impossibilitando-nos de ver para além do que todos veem.

Dá certamente menos trabalho encarar negativamente isto que nos aconteceu ao invés de num ato de rebeldia, de coragem, de garra, até de magia, reinventarmos alegria, de uma forma genial ao ponto de a chegarmos verdadeiramente a sentir.

Importante é acreditar, sorrir, dar gargalhadas, lembrar que não estamos sós, e descobrir a importância, dos que em silêncio sentados “confortavelmente” ao nosso lado, fazem uma melodia de apoio e de paciência aguardando pelo nosso regresso.

Jamais esquecer que há uma alegria genuína que é possível sentir, neste caminho, feita da tal força que me faz viver, lutando com uma gargalhada de surpresa a cada instante.

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O Blog Dia de Mudança relata o caminho de uma jovem de 25 anos desde o momento em que descobre que tem um Linfoma de Burkitt até à atualidade, onde demonstra como o corpo e a mente recuperam após meses de tratamentos.