A vida ao minuto!

Hoje apresento-vos a Professora Helena Valente, a qual tive o privilégio de conhecer durante os anos de Faculdade. Primeiro professora, depois amiga e logo depois a pessoa que me ensinou a arte de transformar sonhos em projetos exequíveis; a técnica de acreditar sempre em mim e o método de reduzir os obstáculos a meros desafios.

Espero que gostem desta entrevista a uma grande Mulher! ❤

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1.Dia de Mudança: Como professora, acredita que existem técnicas para aprender a lutar contra o Cancro?

Helena Valente: Acredito convictamente que sim. Não só técnicas como comportamentos e, sobretudo, atitudes.

2.Dia de Mudança: É inquestionável que a escola motiva a construção individual. Será que o professor poderá contribuir para a desmistificação do Cancro?

Helena Valente: Não só pode como deve. Mas para isso também deveria haver formação a esse nível para os professores. Infelizmente nos dias de hoje o cancro está a tornar-se uma doença comum, no entanto, com características muito próprias e com implicações muito sérias ao nível do desenvolvimento pessoal, familiar e profissional. Desenvolver uma maior sensibilidade para essas transformações é essencial para que o professor possa ser, também ele, uma parte fundamental no apoio aos seus alunos nessas situações.  Desenvolver um conhecimento mais aprofundado sobre a doença, os vários estádios e a forma como se deve saber lidar com as pessoas que passam por cada um deles é fundamental para que o professor ajude nessa desmistificação.

3.Dia de Mudança: No seu entendimento, quais as competências a desenvolver para se ser um bom aluno oncológico?

Helena Valente: A aceitação da doença é, em meu entender, fundamental por parte de quem dela padece, muito embora acredite que não seja fácil e que passe por diversos estágios. Acreditar na cura, estar ciente das dificuldades que possam surgir para se fortalecer e as ultrapassar; ser positivo e acreditar que é apenas uma fase;  não ter qualquer preconceito em pedir ajuda, quer a colegas quer a professores e viver cada dia que passa como uma vitória; ouvir os profissionais de saúde da área e seguir os seus conselhos; falar com quem já passou por situações idênticas; não deixar, dentro do possível, de fazer a sua vida académica.

4.Dia de Mudança: Nunca teve cancro. Mas, já experimentou o sabor da vitória e o desgosto da perda. A sua forma de encarar a vida mudou?

Helena Valente: Mudou claramente. Passei a ter uma maior noção da nossa fragilidade e a ser mais sensível para estas questões e para quem passa por estas situações. Ser amiga ou familiar de alguém que sofre de cancro exige também uma grande capacidade de aceitação e de luta. A vida é demasiado curta para perdemos tempo com questões de peccata minuta. Viver em paz connosco e com os outros é uma aprendizagem diária.

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5.Dia de Mudança: E, como ficou a sua relação com o Cancro?

Helena Valente: Tenho um misto de sentimentos. Por um lado, receio de que também me “bata à porta” ou, de novo, a alguém que me seja querido; por outro, fiquei a perceber que é uma realidade e que a ciência está a evoluir a um bom ritmo trazendo esperança em soluções de cura e prevenção cada vez mais eficazes. Fiquei ainda a admirar a capacidade fantástica que o ser humano tem em se auto-regenerar; admiro a capacidade daqueles que sofrem da doença e que lidam com ela com um espírito leve demonstrando uma bravura indescritível. Mostraram-me que é possível alterar vereditos e perceber o poder da palavra acreditar. Claro que estou a referir-me a si, a uma prima que lutou igualmente de forma exemplar e a outras pessoas que me são próximas e que me mostraram que não se deve baixar os braços e que a vida é demasiado curta para perdermos tempo com questões de pormenor e que não contribuem em nada para o nosso crescimento. São lições de vida às quais não devemos ficar indiferentes.

6.Dia de Mudança: Qual o seu maior desejo e o seu maior medo quanto ao tempo?

Helena Valente: O meu maior desejo e o meu maior medo é só um: ter saúde e perdê-la, bem como, em relação a todos que amo.

7.Dia de Mudança: Numa palavra o cancro é..

Helena Valente: um desafio.

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Obrigada Professorinha!

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O Blog Dia de Mudança relata o caminho de uma jovem de 25 anos desde o momento em que descobre que tem um Linfoma de Burkitt até à atualidade, onde demonstra como o corpo e a mente recuperam após meses de tratamentos.

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