De dente a doente…

Em primeiro lugar, quero pedir-vos desculpa pela minha ausência, mas arranquei um molar. Sim, leram bem, um molar. E claro que a semana passou a correr, entre a cama e o sofá, com gelados, a cara inchada, refeições líquidas, gelo, noites mal dormidas e muitas queixinhas a acompanhar. Como é possível? Só o Brufen para me fazer esquecer as dores, a salvação possível de uma desdentada e desesperada cá para este lado…

Tudo começou há dois anos com uma cárie , o que significou uma ida ao dentista e um tratamento indolor. Até que um belo dia, parti o dente a enfardar aqueles chocolates com amendoins no interior. Uma pessoa sabe que o açúcar faz mal aos dentes, mas nunca pensa que é tão destruidor. Enfim, a massa provisória adiou o inevitável futuro do dente e, passado este tempo todo, descambou numa pequena cirurgia, no domingo passado. O dente já não era dente, era um lugar apelativo à infecção.

E doeu muito?

Para responder a essa pergunta fiz uma pequena lista com os sintomas associados ao após arrancar um dente. Ora então, vamos lá a saber:

  • Ser uma Queixinhas – Chata

A dor é avaliada de acordo com a escala. Todavia, prefiro avaliar a dor com a paciência do homem. Quantas vezes por dia repito: Já te disse que me dói?; Estás a ouvir? Agora doí-me mais; Espera… não aguento de dores; Olha para mim… vê se o inchaço está maior do que à cinco segundos atrás?. Até já lhes perdi a conta. Além disso, enfio a boca sobre o seu rosto com a desculpa que os pontos devem ter fugido, saltado ou outra experiência que provoque a queixa. Uma pessoa já teve um linfoma e deveria ser imune ou relativizar a dor, certo?! Mas pronto, o que interessa é que a paciência do homem dure, dure e dure como uma pilha duracell

  • Zapping Viciado

Uma pessoa acorda, faz uma caminhada da cama para o sofá e pensa que o seu estado dorido será uma preocupação menor aquando imagens de romance proibido, personagens maléficas ou horas de acção de uma família rica, cómica e pobre. Tudo isto, trará pontadas de curiosidade e a dor ficará para quando nos voltarem a perguntar do doente. Ok, eu poderia ser uma espectadora mais culta, ver programas eclécticos ou dedicar-me à leitura. Mas, minhas amigas a pessoa gosta é de ver a novela. Não adianta. Posto isto, das 15h00 à 00h00 consumo entre o mais piroso que dá à novela que já passou tantas e tantas vezes, mas que a pessoa vibra como se já não soubesse da história. No entanto, será que quando o pensamento esquece a dor do dente, a dor minimiza ou deixa de ser a protagonista principal do nada para fazer?

  • Comida? Sim. Papas? Não.

Sim, deixei de ter prazer a comer. Não perdi a vontade de comer. Ou melhor, a vontade de querer comer tudo aquilo que o dente não permite. A pessoa sonha com carne, com pizzas, com pão quente e o que é que tem? Há cerelac frio, sopa passada e outros petiscos que não me satisfazem. A acrescentar a tudo isto, como calippos embrulhada na manta e com o rabo no aquecedor. Isto é só para vos lembrar que estar doente não é fixe, mas tem algumas vantagens, como por exemplo posso comer mousse de chocolate sem culpas. É uma comida liquida, não concordam?

E pronto, é isto. O dente dói? Tenho até terça-feira, dia em que tiro os pontos, para me continuar a queixar. 🙂

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Publicado por

O Blog Dia de Mudança relata o caminho de uma jovem de 25 anos desde o momento em que descobre que tem um Linfoma de Burkitt até à atualidade, onde demonstra como o corpo e a mente recuperam após meses de tratamentos.

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