Carta ao Pai-Natal

Querido Pai-Natal,

chamo-me Gabriela Fonseca. Uma doce cachopa enamorada por um velhinho barrigudo, de barbas brancas enfiado num fato vermelho, onde o sexy e o atraente já não cabem. O seu abraço envolve-me num clima de proximidade entre a imaginação e o real; o pedido e a consumação e ainda, entre o temporário ao interminável. Motivos para trazer luz à época e a esta carta.

Há milhões de artigos que promovem o consumismo. Compramos algo para oferecer. E, ansiamos pela troca. Contudo, a ação de dar e receber surgirá como um gesto de obrigação, gratidão ou um ato imposto?

Por isso, neste Natal, quero que embrulhes todos os presentes com sentimentos. Não faças mais a lista com o “ficar bem” ou o “estar à espera”. Acho que já nos ensinaste a ver que o Espírito reside no coração e não no talão de oferta ou no preço do presente. Estarei errada?

Ora vamos ao que interessa. Neste natal, eu gostaria de receber para além do presente em si, um sentimento incorporado. Parece-me um pedido razoável e baratinho. Ou será assim tão difícil oferecer sentimentos?

Aqui vai a minha lista de desejos, meu querido pai-natal:

  • União: podes trazê-la juntamente com as Bonecas. Embrulharás rostos que aligeiram os desafios do quotidiano brincando com o ser capaz de vencer, de acreditar e de tornar o inesperado num encontro para a vida;
  • Amizade: virá com os Copos, aqueles que irão brindar os próximos anos com o gostar desinteressado, a saudade testemunhada e os projetos partilhados tanto os profissionais como os pessoais. Por acaso, preciso mesmo que tragas aí uns copos ;
  • Felicidade: entrelaça-a com um despertador, em que o som do alarme desperte motivos para se ser feliz todos os dias;
  • Família: carrega-a com uma bela ceia. Um jantar onde para além do cabrito, as filhoses ou outro manjar haja algo que não se deguste, mas que se alimente todos os dias;
  • Alegria: embrulha-a com um álbum. Coloca cliques do caos e da tranquilidade e faz um grande zoom nos sorrisos de ambas as situações;
  • Esperança: quero-a com um elástico. Um elástico que saiba esperar pelo momento certo para voltar a prender um belo e longo rabo-de-cavalo;
  • Solidariedade: prende-a com uma escultura de uma mão. Uma mão que queira comunicar, expressar e minimizar o sofrimento daqueles que iniciam batalhas consideradas perdidas;
  • Entreajuda: liga-a a um dicionário. Um dicionário de acções fora de épocas especiais e de holofotes;
  • Amor: trá-lo com uma foto do Rodrigo. Natal é amor. Amor é amor todo o ano. E, o Rodrigo é o meu amor!

Para terminar, peço-te que quando desceres a chaminé espalhes Luz. Distribui-a por todas as casas. Porque todos merecemos sentir a tua magia, pelo menos uma vez na Vida.

Obrigada por me deixares continuar a acreditar em ti. Mil beijinhos,

Gabriela Fonseca

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O Blog Dia de Mudança relata o caminho de uma jovem de 25 anos desde o momento em que descobre que tem um Linfoma de Burkitt até à atualidade, onde demonstra como o corpo e a mente recuperam após meses de tratamentos.

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