Não há impossíveis!

“- Veio para engravidar?” 

Primeiro a questão habitual. Depois um assustado não. Em seguida, a consulta. Sem demora, a ecografia. E para terminar, o estudo hormonal. Ufa… só que não.

15 dias?! Quinze dias, o período inquietante para descobrir se conjugo ou não o in antes do f.

Ontem lá fomos ao Centro de Preservação da Fertilidade . Como já vos tinha dito –aqui -o tratamento do linfoma, mais concretamente a quimioterapia, pode causar infertilidade. Posto isto, congelei os meus 19 ovócitos, antes de iniciar o tratamento, assegurando a minha sucessão.

A idade avança. A sociedade pressiona. A história repete-se:

  1. Apaga a vela.
  2. Concluí os estudos.
  3. Arranja um trabalho.
  4. Coloca o anel de ouro no dedo.
  5. E engravida.

Ainda assim, a questão da gravidez suscita uma cuidada análise:

  • Engravidas “bem antes da idade certa”. Pois bem, toda a gente já sabia que o desfecho seria esse. Já na primária eras curiosa por aquilo que está no meio das pernas dos rapazinhos;
  • Engravidas “acidentalmente”. As escolhas são o casamento ou o aborto. Se optas por ter o filho sozinha serás candidata a má-companhia e/ou encalhada lá do sítio;
  • Engravidas “durante os preparativos do casamento”. Confessa lá que andavas com medo de ficar pendurada no altar;
  • Engravidas “na lua-de-mel”. De certeza, que não foi bem lá;
  • Engravidas “meses após o casamento” e o teu marido é rico. És esperta. Tens que garantir o futuro, não vá ele mudar de ideias;
  • Engravidas no “tal momento certo”. Eleger-vos-ão a família-exemplo.

E se fores casada e nunca mais parires? Então vamos lá ver:

Hipótese 1: Casada, trabalha e tem bom corpo.

Não engravida, ninguém troca curvas por estrias.

Hipótese 2: Casada e com um excelente emprego.

Não engravida, está à espera que a vaga para chefia abra e, acima de tudo, não vai deixar uma carreira promissora em prol de um puto.

Hipótese 3: Casada, excelente emprego, bom corpo e a chegar aos 40.

Não engravida, já é velha.

Na minha modesta opinião, as hipóteses poderão ter resposta inesperadas. Poderá ser só uma opção. Ou, poderemos estar a falar só de casos de infertilidade. Sim, eles existem e ninguém tem que andar a dizer se é ou deixa de ser infértil.

Garanto-vos, que as cadeiras do centro estão sempre cheias de amor, de esperança e de cansaço. Garanto-vos, também, que as pessoas tem um aspecto normal, um sonho adiado e que o problema afecta homens e mulheres. E, acreditem que ali a outra metade faz ainda mais sentido, de mãos dadas!

Há meio ano que espero pela marcação da consulta. Há meio ano que enumero os factos positivos e negativos. Há meio ano que sei que a vida muda com as conclusões dos médicos. Mas, também é há mais de meio ano que vivo com a certeza de que não há impossíveis.

Até dia 3!

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Publicado por

O Blog Dia de Mudança relata o caminho de uma jovem de 25 anos desde o momento em que descobre que tem um Linfoma de Burkitt até à atualidade, onde demonstra como o corpo e a mente recuperam após meses de tratamentos.

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