Flores que não secam

Um canteiro explorado, um solo verificado e uma rega determinada evocam o mistério da vida: crescer, desabrochar, aromatizar e perpetuar algo ou alguém…

A manhã brotava com a celebração do meu quarto de século: dia para compreender a dicotomia entre o espírito e o conteúdo, data para desmistificar como e porquê a nostalgia do passado, a omissão do agora e a preocupação do vindouro irrompem e atormentam o nosso crescimento. Todavia, a melancolia e reflexão foram borrifadas por 25 rosas: 24 vermelhas que desbastavam os anos de solteira, a juvenilidade, o encantamento e a escassez de ses e 1 branca que inaugurava uma vida frenética a dois, que expressava a entrada na vida adulta com propósitos e regas de comunicação, equilíbrio, proteção, segurança e serenidade.

Ao contrário do que seria expectável as 25 rosas não se conservaram na água com os pós especiais, mas sim guardaram-se para suportar os meses insólitos que se seguiram. Onde, o cartão detinha não um texto emocionante, mas uma questão preocupante:“Constipei-me, tu não podes conviver com pessoas constipadas. Como te irei proteger?”.

A resposta desabrochou com as máscaras que gastou, com a medicação que abusou, com a cama que trocou, com a impotência que sentiu, com o medo de não estar a meu lado nem que fosse para me acordar a perguntar se estou bem. No entanto, quando a nossa força interior é resistente nenhum espinho pode abatê-la e, a dele é muito mais poderosa que qualquer constipaçãozinha. Aquele momento, tantas vezes evitado e amedrontado demonstrou-nos que a vida é instável, porém ressalvou que a forma como olhamos para as adversidades é uma segurança para continuarmos a enfrentar  as pétalas deterioradas.

Enxergamos que é inevitável que a semente da rosa não arranque dilemas abastados; sementes inférteis; solos pouco firmes; etapas murchas; águas infectadas e insectos amaldiçoados. Contudo, nenhum espinho apodrecerá o minuto em que a nossa rosa desabrochará.

E aí, desmistificaremos o porquê de aceitarmos a nossa rosa tal como ela nos é presenteada e compreenderemos como regaremos e preencheremos os próximos canteiros. Porque cada um tem e terá o seu mistério de vida exclusivo!

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O Blog Dia de Mudança relata o caminho de uma jovem de 25 anos desde o momento em que descobre que tem um Linfoma de Burkitt até à atualidade, onde demonstra como o corpo e a mente recuperam após meses de tratamentos.

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