Juntos até à última ponta

Entre olhares extasiantes e visões delirantes gracejavam-se pequenas frases prodigiosas: “namorada doente é namorada para sempre”; “pobre rapaz”; “coitado, deve estar com ela por pena”; “como consegue não ter vergonha dela?”; entre tantas outras pérolas que se prendiam em olhares, em cochichos ou,  em simples comentários de seres estupendos.

Percebemos desde sempre que viver fora dos ditos padrões instituídos provoca distúrbios, agonias ou medos. Sim, seria mais fácil perguntar o porquê de escolher o caminho A em prol do B do que fundamentar toda uma tese imaginativa e cansativa.

Meus caros, não tenho mais pachorra para aturar histórias sem nexo ou imaginações irreais por isso, podem acalmar-se porque se não uso peruca não é por problemas financeiros; se não uso lenços não é por falta de diversidade, a escolha reflete-se só na palavra consenso.

Sim, algo que existe sempre quando tomamos uma decisão, pois estamos sempre juntos tanto para o bem como para o mal sem precisar de nos escondermos em filtros ou em declarações sociais. Neste momento podem questionar-se “mas ela escreve imensas vezes sobre ele”. Desfrutam de toda a razão. E eu questiono-vos “adivinhem porquê?”.

Tal como todo o nosso quotidiano, também a doença é toda partilhada. Por isso, mentes iluminadas podem abandonar já determinados pensamentos: que o homem me obriga a escrever sobre ele ou que quero demonstrar-vos que o rapaz é bem melhor que os vossos queridos. Nada disso.

Construímos o nosso caminho com incertezas, com percalços e com muitos cuidados. Por esse facto, dei-lhe o privilégio de me rapar o cabelo, sabia que a última rapadela gozava de um significado sui generis exigindo alegria, paixão e celebração. Pentes que só ele e a sua pouca habilidade teriam.

Eu em versão barbie e ele em versão criança de 3 anos ansiosa por experimentar todo o poder da máquina no cabelo da sua pequena boneca inofensiva. Entre gargalhadas e piadas o resultado final foi um pouco embaraçoso: a careca estava pouco homogénea, contudo a ausência de preçário e a animação constante compensaram as linhas desalinhadas. Quiçá se o espelho refletia, simplesmente a batalha pouco linear deste últimos meses…

Silenciamos julgamentos, cortamos preconceitos e protagonizamos mudanças com o lema um do outro, um para o outro!

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2 thoughts on “Juntos até à última ponta

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