Porra, que injustiça!

Os tempos suplicam união e força conjunta, porém existe algo bem mais forte: a dimensão do nosso ego e aquela invejazinha com um pequeno toque de frustração. Sentimentos arrebatadores que deterioram a autenticidade da imagem do Zé-Povinho e nos fazem “virar o bico ao prego”.

Observamos o Mundo ou simplesmente a atitude dos nosso vizinhos e percebemos que vivemos num campo de batalha real. Caracterizado por frases tão originais como “isto é o salve-se quem puder”; “cada um por si” ou “estou farta(o) de… ou daquele”. Todos possuem uma arma, no entanto, as balas são substituídas por queixas. Queixas de quê? De tudo.

E, naquele momento eu tinha todo o direito de apontar a minha arma para todas as direcções. Poderia até, solicitar o livro de reclamações ou convocar uma conferência de imprensa para demonstrar ao Mundo que estava a ser alvo de uma grande injustiça.

Mais de metade dos meus amigos, dos conhecidos ou até dos desconhecidos bebiam margaritas,  publicavam paisagens paradisíacas e exibiam as suas curvas em biquínis novos. Aquele sentimento arrebator dominava-me e ambicionava que todos fossem alvo de catástrofes ou tempestades tropicais.

Não era justo, não era mesmo. Na minha mala cabiam apenas 5 pijamas, não precisava de passaporte e iria viajar para aquele lugar pela segunda vez. Como iria sobreviver sem paisagens belas para postar, sem belas comidas para saborear ou sem sol para me bronzear?! A verdade, é que sobrevivi e, o mais surpreendente com a sensação que os dias passaram bem rápido. Talvez, esta sensação seja sinónimo que me estou a familiarizar e a criar um elo àquela equipa…

As viagens dos meus amigos ou dos desconhecidos chegaram ao fim, tal como o meu internamento. Contudo, ao contrário deles eu estava tão, mas tão feliz por poder regressar a casa e desfazer a mala.

Planeamos tanto, sonhamos ainda mais e concretizamos tão pouco. Encaramos o tempo como algo interminável desperdiçando-o com sentimentos nocivos e pensamentos maléficos. Mas, se apontássemos a arma a nós próprios e se mantivéssemos o espírito das férias? De certeza, que embatíamos no Zé-Povinho.

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O Blog Dia de Mudança relata o caminho de uma jovem de 25 anos desde o momento em que descobre que tem um Linfoma de Burkitt até à atualidade, onde demonstra como o corpo e a mente recuperam após meses de tratamentos.

One thought on “Porra, que injustiça!

  1. Injustiça sim!
    Presa, refém de algo que não tinha que acontecer. Tens todo o direito da invejazinha.
    Não a inveja no seu estado puro, maléfico, porque tu és pura, doce bem formada. Essa, a maléfica fica para algumas pessoas que um dia … Pode ser que mudem!

    A tua mala foi transbordando de emoções, vais conseguir fechá-la, tiras de lá os 5 pijamas…
    Rodopiarás bailando, nas próximas férias ao som das batidas fortes do teu coração.
    Beijo princesa.

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