1+1=3

AMO-TE!

O mar puxou-nos um para o outro; o teu perfume mais forte que o cheiro a maresia despertou-me; o teu olhar mais intenso que o pôr do sol encantou-me e a tua mão pegou na minha e partimos para um expedição.

O calendário marcava que tínhamos entrado no mês de maio, o mês da esperança e da fertilidade, e que apenas seria mais um sábado à noite. Todavia, aquele sábado seria bem mais… transformar-se-ia numa noite inesquecível, num sonho inimaginável, numa experiência marcante, numa descoberta do amor.

Eras um rapaz um pouco introvertido, sem muito jeito para o chamado “engate”, descrente do romantismo e com uma armadura para proteger o coração. Piscaste-me o olho timidamente – eu sei que jamais o irás assumir e continuarás a culpabilizar as luzes e os shots- e desencadeaste uma luzinha no meu coração, proferiste uma pequena frase – um pouco tonta e sem nexo, admito- e teve a habilidade de me fazer sorrir.

A luz nunca mais se apagou e o sorriso nunca mais se desfez. Estes consolidaram-se no dia em que ajoelhado na areia me pediste em namoro e eu senti que te iria amar bem mais que, as profundezas do mar e os limites da zona costeira. A partir daquele instante, tornaste-te a minha força interior; o meu porto seguro; o motivo pelo qual anseio chegar a casa; o meu melhor amigo; o meu cúmplice; o ombro em que me apoio; o beijo que necessito; a melodia que me embala, és, sem dúvida, a outra metade de mim!

Sabemos, desde tenra idade, que as histórias de amor eterno são alvo das maldades de alguém e que um dos seus protagonistas tem que estar em perigo. E, nós não seríamos diferentes… a nossa felicidade, passado um ano, estava ameaçada.

Olhei-te nos olhos, abracei-te com força e afirmei, um pouco gaga, que tinhas o direito de partir e que jamais te condenaria se o fizesses. Mostrei-te o porquê; dei-te inúmeras razões; enunciei-te uma lista de privações mas retorquíste num tom bem alto afirmando, exatamente, as mesmas palavras do nosso primeiro beijo:- agora, já não te largo !

A verdade, é que o meu coração também pertencia a outro. Tal como a música do Marco Paulo eu tinha 2 amores e não estava autorizada a optar por nenhum deles. Eles eram bem diferentes, faziam-me sentir sensações e emoções opostas, porém a vida não me deixava escolher um em prol do outro e nenhum deles me queria abandonar, também.

Resolvi, então, ter uma relação de poligamia e ambos aceitaram impondo as suas condições e estipulando as principais regras de convivência. Assumo que, o início não foi nada fácil: estávamos habituados à nossa rotina, a agirmos por impulso, a decidirmos o que fazíamos ou onde íamos em cima da hora, e com uma terceira pessoa já não podia ser assim. Ela tinha as suas exigências, as suas necessidades e condicionava bastante a nossa vida a dois.

Para além disso, começou a demonstrar o seu carácter e a impor-se cada vez mais. As suas condições não eram negociáveis e exigia bastante:

  • 5 dias de dedicação total, de 3 em 3 semanas. Durante esses dias o Rodrigo não tinha qualquer tipo de intimidade comigo a não ser um pequeno toque de mãos e um beijo na testa. Podia visitar-me ao final do dia mas a terceira pessoa tinha sempre que estar presente;
  • Após esse tempo regressava para casa com o Rodrigo, mas ela vinha também. Estipulando os dias que fazíamos amor, que podíamos ir jantar fora ou tomar um café e obrigou-nos a colocar mais uma almofada na nossa cama.

Quando ele entrou nas nossas vidas não tivemos tempo para analisar e explorar os prós e os contras, sabíamos que tínhamos que aceitá-lo e que ele determinaria o nosso futuro.

Passado este tempo de convivência a três, sei que ele nos trouxe algo de muito bom e que permanecerá para sempre: descobrimos que não importa a dimensão do momento, mas que cada segundo juntos é único e é para aproveitar; abusamos da palavra “amo-te”; brincamos com as mudanças constantes a que somos sujeitos; partilhamos tudo o que nos atormenta ou que nos alimenta; rimos imenso de tudo e de nada. Afinal, somos ainda mais felizes, estamos mais unidos e somos muito mais fortes como casal. E, porquê quando hoje tenho este diagnóstico?

Porque quando se descobre um diagnóstico destes sentimos que ainda temos tanto amor para dar, tantos álbuns para preencher, tantas coisas para colocar na nossa caixa de memórias, tanto medo de não poder voltar a dormir em conchina ou a ouvir um simples “bom dia fofi”; que as preocupações do tempo, do saldo bancário, do colega que falou mal de nós ou da tese que temos que acabar,  não importam, são pormenores insignificantes.

Atualmente, não sou o sinónimo de namorada de sonho, nem lá perto: não tenho mais os meus longos cabelos; maquilhagem não uso;  tenho uns bons quilos a mais; lingerie sexy não há, mas há algo bem mais importante, o saber e o sentir que sou uma mulher verdadeiramente amada. E, é essa verdade que me encoraja nesta luta incessante pela cura.

Quando entrámos na nossa expedição nunca esperámos que um dia seríamos desafiados a dobrar o Cabo das Tormentas, mas fomos! Sabemos que não temos uma tripulação e muito menos um navio, mas temos o amor, o sangue, a audácia e a coragem dos Navegadores Portugueses e uma bússola que nos indica que estamos no caminho para o imortalizar como o Cabo da Boa Esperança, também.

Obrigada meu amor por seres quem és, o que és e, o mais importante, por seres meu!

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One thought on “1+1=3

  1. Ana Bastos diz:

    Quando uma adversidade se atravessa nas nossas vidas, analisamos a profundidade das “raízes “…
    Nem sempre acontece, claro!
    Feliz por ti, por vós que tão novinhos foram “postos à prova”!
    Desnecessário!
    Banalidades!
    Porque vão um dia, perceber que o que construíram é forte, tão forte que nada pode abanar, beliscar.
    Feliz por ti!
    Feliz pelos 2.
    Força miúdos lindos. A vida é vossa.
    Sempre!

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