Um dia quero que me chamem de Mãe!

O que é o amor?! Esta, é sem dúvida uma das questões que tentamos responder ao longo de toda a nossa existência, uma vez que o tratamos como uma mera coisa, algo que depende da idade, do tempo e da experiência que adquirimos. Mas, no fundo por mais definições racionáveis e desprovidas de visões romantizadas sabemos que o amor sente-se e não se explica….

O primeiro amor que conhecemos é o amor materno, aquele com capacidade de amar um ser que não se conhece o rosto mas que se ama desde o instante em que o teste se revela positivo. Sabemos que teremos a responsabilidade de cuidar de um ser indefeso, de alguém que irá precisar de todos os nossos cuidados, de alguém que teremos que educar e preparar para enfrentar todos os desafios bons e maus que terá ao longo da vida mas, que voltará sempre que precisar ao lugar mais seguro do universo: o colo materno!

Desde pequena que sonho com o meu casamento e em ter 3 filhos, a Constança, o Salvador e a Maria Francisca. Contudo, esta doença trouxe-me mais uma consequência a probabilidade desse sonho nunca se tornar uma realidade.

Depois de saber que tinha um linfoma, pensei que mais nenhuma frase teria a habilidade de me deixar sem ar ou acelerar bruscamente o meu coração, mas estava enganada. Ouvir “podes ficar infértil” voltou a provocar-me, quase, as mesmas sensações negativas.

No entanto, tal como diz o velho ditado “depois da tempestade vem a bonança” e havia uma solução, uma única tentativa e três semanas de preparação para que ela não falhasse. E não falhou. Consegui congelar 19 ovócitos e assim, assegurar a realização do meu sonho!

Mas para já, vou continuando a desfrutar do amor materno que me é presenteado todos os dias e que se mantém firme a cada internamento, a cada contrariedade, a cada lágrima e que esteve lá no dia em que sem certezas  a fiz prometer que não me deixaria morrer e ela prometeu mesmo o seu coração  duvidando.

A verdade, é que esta luta não é só a minha, existem outros atores, que aos poucos vos vou dando a conhecer. Neste momento revelo-vos dois, os meus Pais. As pessoas que, mais uma vez me disseram :- Gabi, tu vais conseguir! E, a sua convicção nas minhas capacidades ocasionou que eu própria começasse a acreditar também.

mae-levando-o-bebae-colorear

5 thoughts on “Um dia quero que me chamem de Mãe!

  1. Marta diz:

    Essa é uma realidade. Felizmente já é uma preocupação dos médicos (na preservação da fertilidade de doentes oncológicos). Pena é, que a sociedade em geral não esteja tão informada. Belíssimo texto Gabi… Devia servir para sensibilizar a Todos.

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  2. Ana Bastos diz:

    Tesourinho lindo!
    É incondicional amor de mãe, de pai daríamos a vida pelos filhos se fosse necessário, possível.
    Vais perceber um dia…
    Sim um dia quando 3, 4, quem sabe, te chegarem aos teus braços. Vai ser mágico logo no primeiro instante.
    Momentos de ternura, de uma intensidade que é difícil transmitir.
    Senti-lo-as TENHO A CERTEZA!
    Adoro-te princesa.
    💕🌸
    Ah…. Podem ser gêmeos

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