Mais uma tatuagem?

A tinta da caneta, a folha em branco e a inexistência de corretor para escolhermos que 365 histórias viveremos. O ciclo é vicioso e começa sempre com um simples “era uma vez”, em que o protagonista será sempre o responsável por escolher, contar e perpetuar a história.

Contudo, sabemos que um dia a nossa memória poderá não conseguir contar exactamente todos os capítulos e decidimos preservá-los através de fotografias, diários, vídeos ou tatuagens. A verdade, é que todos estes recursos são diferentes mas todos consentem que sejamos observadores da nossa própria folha!

Fiz a minha primeira tatuagem aos 21 anos, movida pelo desejo de perenizar uma escolha, o dia em que decidi mudar de curso! Essa mudança obrigou-me a descobrir os caminhos de uma nova cidade; a conhecer novas pessoas; basicamente, a palavra novo e descoberta caminhavam de mãos dadas nessa aventura. Todos esses itens preenchiam a minha folha naquele ano e eu senti a necessidade de nunca a esquecer. A seguir, eternizei mais duas!

Lembro-me, exatamente do barulho da agulha a introduzir a tinta na minha pele e senti que  cada “picada” simbolizava as palavras que usaria para contar a minha história.

Nos últimos tempos tinha decidido que iria voltar a tatuar-me, apenas não tinha decidido se optaria por um símbolo ou por uma palavra. Mas a vida, decidiu por mim e fez-me tatuar as duas.

Cheguei à minha quarta tatuagem sem pedir orçamento e sem ver o desenho. Sabia apenas, que o espaço, o tatuador e a agulha não seriam os mesmos a que estava habituada. Desta vez, teria direito a vários tatuadores, a anestesia local e seria uma tatuagem temporária, cerca de 5 anos até perder a cor. O local escolhido foi a parte superior direita do meu tórax e o desenho consistia numa pequena câmara com a palavra implantofix. Ao contrário, das outras esta ficaria por baixo da minha pele identificada por uma cicatriz e daria sinal em alguns detetores de metais.

A folha estava à frente dos meus olhos para preencher, a tinta pingava da caneta e a tatuagem ainda estava em processo de cicatrização. Todavia, o meu coração dizia-me que tal como uma tatuagem eu iria ser protagonista de uma história que não poderia ser removida.

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O Blog Dia de Mudança relata o caminho de uma jovem de 25 anos desde o momento em que descobre que tem um Linfoma de Burkitt até à atualidade, onde demonstra como o corpo e a mente recuperam após meses de tratamentos.

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